Empreendimento utiliza a agrofloresta para ocupação sustentável no Lago Corumbá IV

Escarpas Eco Parque planta floresta com mudas do cerrado e frutíferas para auxiliar na recomposição do lençol freático da região do Lago Corumbá IV, em Abadiânia

Incentivar o uso sustentável da água e da terra. Esse é o conceito usado pelo Escarpas Eco Parque, empreendimento localizado no Lago Corumbá IV, em Abadiânia, que deu início ao plantio de agroflorestas nas áreas comuns e bosques que serão implementados entre os lotes. A técnica, milenar, concilia o plantio de espécies de interesse do homem – para uso de alimentação, medicinal, por exemplo – junto com espécies florestais nativas do cerrado, e serve também para auxiliar na infiltração da água.

Na agrofloresta do Escarpas Eco Parque serão plantadas ainda neste ano 1,2 mil mudas, sendo de 300 espécies frutíferas. Junto das espécies nativas, os moradores e visitantes poderão encontrar frutos do cerrado e outros, como manga, abacate, laranja, acerola, pequi e até açaí.

Para o responsável pelo plantio, o biólogo e agroflorestor Murilo Arantes, o método consiste em, literalmente, copiar a própria natureza na formação de florestas. “A gente busca o mesmo princípio, que acontece quando a natureza faz a restauração de uma área florestal. A gente vê que tem uma lógica, uma sequência de plantas que são colocadas. A gente aproveita e traz isso para o plantio da agrofloresta”.

A importância da agrofloresta vai além da plantação de mudas diferentes. Ela ajuda a evitar assoreamentos. “Em uma região sem árvores, a água infiltra menos e temos mais escorrimento de água no solo. Isso causa impactos nos mananciais, como assoreamentos. Plantar uma floresta vai ajudar na infiltração e é essa a nossa proposta: fazer o que uma floresta nativa estaria fazendo”, descreveu o biólogo.

A proposta do projeto, explica Murilo, é que seu cultivo seja todo orgânico para que os moradores possam se beneficiar, contemplar e até auxiliar no manejo e poda.

Diferenciais

O Escarpas Eco Parque conta com horta comunitária, compostagem do lixo e materiais orgânicos e captação de água da chuva. Neste caso, o uso da técnica swales vai ajudar a agrofloresta na reposição do lençol freático da região do Lago Corumbá IV. “Swales consiste em uma escavação feita no terreno para que a água seja absorvida pelo solo sem o deslocamento de material, evitando erosões e impactos ambientais. Você consegue facilitar a drenagem da água em qualquer terreno em que essas valas são construídas, pois queremos que essa água se infiltre mais rápido possível”, explica o biólogo e agroflorestor.

A união desses dois conceitos: de agrofloresta e swales, de acordo com o profissional, traz grandes benefícios para o meio ambiente. “Vamos aumentar ainda mais o potencial de infiltração da água quando a gente colocar as árvores, alinhadas ao uso do swales. Porque, na natureza mesmo, é a raiz das árvores que faz a água se infiltrar no solo. Essa é a grande inovação: unir as duas tecnologias”, detalha Murilo.

O biólogo comemora o plantio de árvores nativas do cerrado com outras espécies no Escarpas, como verdadeiros corredores ecológicos. “Do ponto de vista ambiental, a gente vê a presença de mais animais na região e provimento de alimento para eles e para o homem. O que estamos fazendo aqui é trabalhar pela conservação da vida, conservação da água, e possibilitar um ambiente mais harmônico do ponto de vista ambiental”.

 

Previsão

O Escarpas Eco Parque, além do condomínio residencial de lazer, traz uma marina, restaurante com vista panorâmica para o lago, além de uma área para práticas de ecoaventura, com diversas atividades abertas ao público, essa com inauguração prevista para janeiro de 2022.

O condomínio ecológico fica em Abadiânia, a 105 km de Goiânia, 130 Km de Brasília e a 60 km de Anápolis. O empreendimento está dividido em 500 lotes de 500m² a 2.500m², cuja área mínima construída deve ser de 100 m². A previsão para que as obras do complexo sejam totalmente concluídas é até março de 2024.