A fé pode ajudar na cura de doenças?

Se no passado ciência e fé chegaram a estar em lados opostos, hoje já existem estudos científicos que comprovam que ela pode trazer benefícios para tratamentos médicos. Hematologista realiza palestra em formato de mesa redonda para abordar essa temática, aberta ao público, na quarta-feira (22/06)

Do diagnóstico de leucemia, aos 17 anos de idade, passando por um período de incertezas, à cura da doença, dois anos depois, Marina Aguiar sempre foi acompanhada por esperança e fé. “Me agarrei ao 1% de chance de vida que me deram na época e coloquei 100% de esforço. Hoje estou aqui, viva, para contar minha história”, detalha ela, que acabou se tornando hematologista e hoje passou para o outro lado da mesa, em seu consultório no Órion Complex ou no Hospital Araújo Jorge, onde se tornou chefe de transplante de medula óssea. Ela, agora, atende pacientes que passam pelo mesmo problema.

Atualmente, ela faz uso de todos os recursos da ciência, mas também inclui em sua terapêutica o valor da fé. É sobre esse tema que ela falará na palestra A fé pode influenciar os tratamentos de saúde?”, agendada para quarta-feira, 22 de junho, às 19h30, no Auditório da Associação Médica de Goiás do Órion Complex. Jornalistas convidados serão mediadores e levarão perguntas e dúvidas à especialista. O evento é uma promoção dos Jornalistas de Cristo, grupo de profissionais de comunicação cristãos, em parceria com o Órion Complex.

Marina largou a faculdade de odontologia e decidiu virar médica ainda durante o tratamento, para ajudar as pessoas. Mas com um detalhe a mais: a espiritualidade. “A medicina aliada à fé, traz a cura. O médico quando olha para o paciente e só vê números, tem uma visão rígida. Dá o diagnóstico apenas, como deram para mim, desengana a pessoa. Mas o profissional que alinha seu trabalho à fé, tem uma visão mais abrangente, conforta mais o paciente, tem uma relação médico-paciente melhor, e consequentemente, dá mais esperança para que a pessoa continue vivendo, continue lutando, para que vença e tenha a cura”.

Se durante o Iluminismo, movimento cultural europeu do século XVII e XVIII, a busca do conhecimento era valorizada em detrimento dos valores da religião – que baseia-se na fé – hoje a própria ciência já dá um passo atrás e revê essa premissa. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, comprovou que pacientes que se valem de práticas religiosas apresentam 40% menos chances de sofrerem depressão durante o tratamento. O resultado foi que a fé representa um reforço para o sistema imunológico.

A influência da espiritualidade no tratamento já vem sendo estudado por médicos. Um trabalho com quase 250 artigos, publicado pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, concluiu que a prática regular de atividades religiosas de qualquer tipo pode reduzir o risco de morte em 30%. Ainda segundo o estudo, há até mesmo diminuição na carga viral em pacientes com HIV, redução de mortes por AVC e problemas cardíacos.

Recentemente, Marina resolveu tornar pública sua história. O livro Menina dos Olhos, escrito pelas jornalistas Dalvina Nogueira e Honória Dietz, conta seu doloroso tratamento, que incluiu momentos em que os médicos deram apenas 1% de chances de ela sobreviver, por não encontrar a medula compatível para o transplante. Sua mãe chegou a fazer uma fertilização para engravidar, na tentativa de ter um irmão compatível. Teve gêmeos, mas eles não se enquadraram no requisito.

“O livro é para inspirar as pessoas, não é só uma história de uma menina que teve leucemia e se curou. São 310 páginas cheias de detalhes. Em cada capítulo tem uma história de superação. Foi a vitória de passar no vestibular, meu problema de saúde, meus irmãos, que nasceram prematuros após uma gestação complicada para a minha mãe. São detalhes que, ao final de tudo, eu penso: se tivesse desistido lá no começo, não teria conseguido esse propósito do final. Então é isso: instigar o leitor a ter mais esperança na vida. O quão é importante enxergar a vida de forma mais positiva, ter fé e esperança. ”

Na palestra, Marina pretende demonstrar essa relação da fé com o sucesso do tratamento. “A minha história de sucesso foi por fé mesmo. Foi uma luta atrás da outra. Como conto no livro, a gente vai lendo e pensa: meu Deus, não vai dar certo no final, nada dá certo. Mas com muita fé e persistência, dá certo”