Irrigação vira alternativa cada vez mais próxima de cafeicultores em Minas Gerais

Evento da Cooperativa Agropecuária da Região do Piritinga (Coopertinga) reuniu a Pivot e mais de 60 participantes entre produtores e consultores agrícolas especializados em café no município de Formoso, Noroeste de Minas

Um contato com as novíssimas tecnologias de irrigação e fertilização voltadas para o plantio do café. Esse foi o objetivo da 1ª edição do Encontro Tecnológico na Cafeicultura – Produtividade e Sustentabilidade, realizado em Formoso, noroeste de Minas Gerais, nos dias 3 e 4 de março. O evento, que reuniu mais de 60 participantes entre produtores e consultores agrícolas especializados em café, é uma realização da Cooperativa Agropecuária da Região do Piritinga (Coopertinga).

Ao longo de dois dias, a programação do encontro contou com uma série de palestras e visitas técnicas a fazendas. Entre os palestrantes convidados estiveram o engenheiro agrícola Arthur Souza e o engenheiro agrônomo Elvis Silvas Alves, ambos consultores e representantes comerciais da Pivot Máquinas Agrícolas e Irrigação. Eles apresentaram aos produtores as novidades em equipamentos e serviços de irrigação por pivô central e localizada, que são os sistemas mais usados no Brasil para o plantio de café.

“O Noroeste de Minas vem se destacando cada vez mais na produção de grãos no Brasil, especialmente soja, milho, sorgo, feijão e o café, que já representa 20% da produção agrícola dessa região”, revela Arthur Souza. O engenheiro agrícola também destaca que tem crescido o interesse dos cafeicultores brasileiros pelo plantio irrigado. “Atualmente, o café irrigado já representa 15% da área plantada no País, que é de 2,3 milhões de hectares, e responde por 30% da produção deste grão”, informa.

Segundo Elvis Alves, o café vem ganhando espaço na região por ser um produto que valorizou muito nos últimos anos. Para se ter ideia, entre as principais commodities agrícolas negociadas no mundo, o café foi a que registrou a maior valorização na B3 (Bolsa de Valores em São Paulo), registrando aumento médio de 80% em 2021, na comparação com o ano anterior. “Frente a uma demanda tão grande e com um preço tão atrativo, os produtores de café têm percebido que ficar à mercê dos regimes de chuva, que atualmente estão cada vez mais variados, não é um bom negócio”, pontua o engenheiro agrônomo.

Entre as novidades tecnológicas apresentadas pelos dois engenheiros está o sistema FieldNordesteT, desenvolvido pela Lindsay, marca líder mundial no desenvolvimento de soluções de irrigação para a agricultura. A ferramenta 100% digital possibilita o gerenciamento e manejo de forma totalmente remota e integrada da irrigação. “É um sistema que coloca o produtor totalmente no controle do seu sistema de irrigação por pivô, de onde ele estiver”, ressalta Arthur. Segundo o engenheiro agrícola da Pivot, o café é uma cultura que costuma ser bastante sensível à variações bruscas de clima, por isso um sistema de irrigação estável e preciso é essencial para se ter uma produtividade e qualidade igualmente estáveis.

Formoso e Formosa

Uma das mais produtivas cooperativas agrícolas de Minas, a Coopertinga desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do noroeste mineiro, representando atualmente mais de 90% da arrecadação de tributos só no município de Formoso. A atividade da cooperativa também impacta positivamente em terras goianas, em especial no município de Formosa, onde grande parte dos cooperados e suas famílias residem. A distância entre as duas cidades é de 200 km.

Criada no início dos anos 1990 e reunindo mais de 70 produtores cooperados, a Coopertinga é especializada no plantio e comercialização de grãos como soja, milho, sorgo, feijão e café e também no cultivo de laranja. A cooperativa também oferece insumos agrícolas, combustíveis e serviços de assistência técnica agronômica, armazenagem e beneficiamento.

Na divisa de Goiás e do Sudoeste baiano, o Noroeste de Minas Gerais é uma região de características únicas no estado. As terras planas do chamado cerrado mineiro são consideradas uma fronteira agrícola ainda com alto potencial de crescimento.

Os empresários rurais, em sua maioria vindos do Rio Grande do Sul décadas atrás, têm investido em suas propriedades e estão tornando a região conhecida por sua elevada produtividade.