Março lilás e amarelo alerta para saúde feminina

Campanhas com cores buscam chamar a atenção para o câncer de colo do útero e para a endometriose. Especialistas alertam sobre as doenças

Dentre as cores da saúde, este mês ganha duas para alertar sobre a saúde feminina: o março lilás e o amarelo abordam o câncer de colo do útero e a endometriose, respectivamente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), excluindo o câncer de pele não melanoma, o câncer de colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (atrás do câncer de mama e do colorretal), e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

 

Também chamado de câncer cervical, a doença é causada pela infecção persistente por alguns tipos de HPV (sigla em Inglês para Papilomavírus Humano). A ginecologista oncológica Nayara Portilho, que atende no centro clínico do Órion Complex, explica que o câncer de colo do útero possui desenvolvimento lento. “Ele pode não apresentar sintomas na fase inicial. Nos casos mais avançados, pode evoluir para sangramento vaginal intermitente (que vai e volta) ou após a relação sexual; secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais”.

 

A especialista revela que entre os fatores de risco para o câncer de colo do útero está o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e uso prolongado de pílulas anticoncepcionais. Contudo, é possível prevenir a doença. “A vacina contra o HPV está disponível para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos. O uso de preservativos protege parcialmente, pois o contágio também pode ocorrer pelo contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal. E as mulheres a partir dos 25 anos devem fazer o exame preventivo Papanicolau”, detalha Nayara Portilho.

 

A médica destaca que entre os tratamentos para o câncer de colo do útero estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. “O tipo de tratamento dependerá do estágio de evolução da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da paciente e desejo de ter filhos”. Nayara ressalta ainda a campanha março lilás: “a conscientização sobre os exames preventivos no diagnóstico precoce das lesões e da vacina do HPV é importante. O câncer de colo do útero, em sua maioria, é prevenível, basta ter acesso e informação”.

 

Março Amarelo
Já a endometriose atinge cerca de 180 milhões de mulheres em todo o mundo, sendo 7 milhões apenas no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença inflamatória e crônica é causada por células do endométrio (tecido que cobre a parte interna do útero), que em vez de serem eliminadas com a menstruação, se movimentam para outras partes do corpo, como os ovários ou mesmo a cavidade abdominal, onde se multiplicam e voltam a sangrar. Em maio, a OMS reconheceu a endometriose como um problema de saúde pública para que isso favoreça o desenvolvimento de políticas e ações para seu diagnóstico e tratamento.

 

Para ressaltar a doença, o mês de março também ganha a cor amarela. “O objetivo é alertar as mulheres sobre a importância da realização de exames preventivos e diagnósticos com intuito de evitar o desenvolvimento da doença em suas formas graves, que muitas vezes pode causar dor pélvica e infertilidade e em outras ocasiões, complicações intestinais e urinárias”, destaca a ginecologista Rosane Figueiredo Alves, que também atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia.

 

Ela explica que as principais manifestações clínicas da endometriose são cólicas intensas, dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar em mulheres na fase reprodutiva, geralmente entre 25 e 35 anos. “A doença é mais frequente em mulheres que ainda não tiveram filhos, naquelas que apresentaram menarca (primeira menstruação) precoce, nas quais possuem maior exposição estrogênica e nas pacientes com histórico familiar de endometriose”, detalha a médica sobre os fatores de risco.

 

Rosane Figueiredo revela que a escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, da extensão e localização da endometriose e do desejo de gravidez. “Para o controle da dor indica-se o bloqueio do ciclo menstrual. A indução da ovulação isolada ou associada à inseminação intrauterina (IIU) é o tratamento para infertilidade. A cirurgia é indicada para as pacientes que apresentam dor e não melhoram com tratamento hormonal, que apresentam cistos ovarianos volumosos e/ou endometriose profunda com risco de obstrução intestinal ou de ureter”.