Artesã quer inspirar pessoas de baixa renda a conquistarem sua independência financeira

Por meio de experiência de vida, profissional dá início a um projeto social para ensinar moradores do Residencial Goiânia Viva e região a produzirem biojoias artesanais. Curso também apresentará potencial do mercado, fornecedores e contará com palestras e orientações de especialistas

Inspirar outras pessoas a encontrarem sua força, a se valorizar e a acreditar em si mesma. Tudo isso aliado a uma aprendizagem que poderá lhe proporcionar independência financeira, inspirar novos sonhos e conquistar o mundo! Esta é a proposta da artesã Alda Assis, que vai ministrar, de 27 de junho a 2 de julho, um curso para ensinar a confecção de biojoias, tudo de forma artesanal, aos moradores do bairro Residencial Goiânia Viva e setores adjacentes, na região Oeste de Goiânia. Serão 30 vagas, tanto para mulheres quanto para os homens, e a participação é gratuita.

Idealizadora do projeto ‘Travessia: o artesanato como instrumento de transformação do indivíduo e fomentador da economia local’, aprovado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás, do Governo do Estado de Goiás, Edital 10/2017, Alda vai apresentar as matérias-primas utilizadas, passando por técnicas de conservação, pintura, polimento e aproveitamento de cada produto descartado pelo meio ambiente. A fonte desses materiais, em sua maioria, advém do Cerrado e da Amazônia. Sementes, madeiras, ossos, chifres, pedras. Também será destacado o potencial deste mercado e os participantes terão acesso a alguns fornecedores. A partir daí, basta deixar a criatividade falar mais alto.

O evento será realizado no Projeto Renascer, coordenado por Edinaldo Marques Neves, localizado no bairro Residencial Goiânia Viva, na região Oeste de Goiânia. Objetivo é promover uma formação que saia do circuito central da cidade, possibilitando o acesso e a participação também de pessoas idosas ou com deficiência motora. “Nossa intenção é viabilizar uma formação profissional voltada para o artesanato e, consequentemente, proporcionar uma experiência de autonomia econômica para esta comunidade. Acredito que os participantes das atividades possam, a partir daí, criar e fortalecer suas próprias rendas financeiras para sustentar minimamente as necessidades básicas de alimentação e moradia, assim como estar em contato com todos os benefícios psicossociais que o artesanato promove”, explica a artesã Alda Assis.

Os participantes também terão acesso às informações necessárias sobre produção independente e economia solidária para que possam compreender o funcionamento e possibilidade de uma vida financeira autônoma, além de noção sobre formas de organização do cotidiano de um profissional autônomo.

O projeto também oferecerá um ambiente de escuta para conhecer os maiores problemas enfrentados pelo grupo participante. “Assim como eu consegui me reerguer após um relacionamento conturbado/tóxico, quero auxiliar outras pessoas a recuperar sua autoestima, ao mesmo tempo oferecendo uma oportunidade de empoderamento”, justifica.

Além da artesã responsável pela iniciativa, a formação contará com mais quatro profissionais: as palestras ficarão a cargo de Emília Simon; Naya Violeta; e Viníciu Fagundes Bárbara; enquanto as oficinas terão a coordenação de Lorena Patrícia de Oliveira, do Ocupa Madalena; e a vivência será com a psicóloga Camila Lima. “Estabelecer e consolidar contatos são modos de estreitar laços de trabalho, formar redes de apoio, criar vínculos de pertencimento com a profissão e estabelecer relações de trocas de saberes e práticas. Esse é o primeiro passo para que a formação seja potencialmente efetiva e tenha força para seguir e alcançar seu propósito maior”, ressalta Alda.

Ao final, serão entregues 30  exemplares do “Guia da Artesã e do Artesão”, que reúne as informações básicas sobre o artesanato e a produção realizada pelos participantes como dados sobre as biojoias; apresentação dos materiais e equipamentos que envolvem a feitura das peças; processos de criação; mapeamento de sites de artesãs e artesãos no Brasil; informações sobre os coletivos, associações, feiras, editais e outras possibilidades de contatos de vendas e de organização em torno do artesanato.  Também será documentado neste material os registros visuais da formação e a produção realizada durante a execução do projeto. E os alunos também terão seu certificado.

Origem

Alda Assis é uma artesã de Goiânia que descobriu as tramas criativas do artesanato e desde então vive envolvida, consumida e entregue a esta arte. Seu envolvimento com o artesanato se deu há 11 anos, após o término de um relacionamento, quando se percebeu isolada das possibilidades de uma vida profissional que lhe garantisse, minimamente, uma renda mensal para as despesas de alimentação e moradia.

Sem uma formação e experiência para buscar vagas de emprego, Alda se viu desamparada e sem saídas. E foi aí que, por meio de uma formação, aprendeu a criar e a fabricar biojoias, a saída para a garantia de renda. Nessa travessia, o artesanato foi a possibilidade real que ela encontrou para construir uma trajetória profissional que pôde, aos poucos, lhe devolver a segurança e autoestima que lhe faltavam. “Acreditamos que é possível transformar algumas realidades econômicas, sociais e emocionais por meio de uma formação e capacitação com o artesanato. Assim como aconteceu comigo, outras pessoas podem encontrar nessa profissão novos caminhos para se sustentar, a si e aos filhos, numa vida com mais perspectivas econômicas, autonomia, autoestima e qualidade de trabalho. O artesanato pode ser pensado e encarado como essa alternativa real de autonomia econômica”, aposta a artesã.