Dia Nacional da Saúde e a importância do leite na nutrição humana

Apesar de ser considerado vilão por algumas pessoas, o leite não tem característica inflamatória como muitos pensam, mas sim uma diversidade de nutrientes e benefícios importantes para a saúde

Promover a educação sanitária e despertar, no povo, a consciência do valor da saúde. É com esta finalidade que o Dia Nacional da Saúde é celebrado, anualmente, no dia 05 de agosto. E nada mais justo do que aproveitar a data para reforçar a importância e os benefícios de um dos alimentos mais populares, versáteis, completos e que, inclusive, é fortemente associado à boa nutrição da população: o leite.

Apesar de ser considerado vilão por algumas pessoas, o fato é que o leite é um alimento rico em vitaminas, minerais e outros nutrientes que contribuem diretamente para a saúde humana, tais como vitaminas A, B12 e D, cálcio, zinco, carboidrato, proteína e gordura, conforme destaca a nutricionista Jalily Moura. A especialista lembra, ainda, que seu consumo garante uma série de benefícios, como boa visão, aumento da produção de células vermelhas do sangue, regulação das funções relacionadas ao sistema nervoso, liberação de energia e restauração e crescimento celular.

O equivocado status de alimento inflamatório

Ainda assim, há pessoas que têm uma visão equivocada sobre o leite, sobretudo ao classificá-lo como alimento inflamatório. O que acontece e costuma gerar tal confusão é que seu consumo pode provocar respostas inflamatórias e sintomas indesejáveis em determinadas pessoas, como quem tem sensibilidade ou intolerância a alguma proteína ou açúcar presente no leite.

É o caso também de quem possui alguma doença inflamatória intestinal, a exemplo da retocolite ulcerativa, doença de crohn, gastrite e úlceras, além de alergia alimentar à caseína (proteína do leite) ou intolerância à lactose, conforme explica a nutricionista clínica e funcional Marinna Reis. “Caso a pessoa não tenha nenhum desses acometimentos no trato gastrointestinal, o leite não é considerado inflamatório”, reitera.

Jalily também cita os casos de disbiose, em que o organismo passa a ser sensível à caseína, podendo muitas vezes levar à inflamação e a alguns sintomas relacionados à hipersensibilidade, como produção de gases, alergias, entre outros.

“Com o passar dos anos, é normal o ser humano ir diminuindo a produção de algumas enzimas e não tolerar bem o leite como tolerava na infância. Então é bom avaliar se não está causando algum tipo de hipersensibilidade, como alergia ou intolerância, consumir pequenas porções de leite e aumentar o consumo de cálcio por fontes alimentares como iogurte natural, folhas verdes escuras, semente de chia, entre outros, pois o cálcio é importante para a prevenção da osteoporose e fortalecimento dos dentes”, destaca.

Em contrapartida, hoje em dia, também existem alternativas de consumo para esta população específica, como é o caso do leite zero lactose. A engenheira de alimentos e gestora de qualidade da Marajoara Laticínios, Annyelle Couto, inclusive ressalta que, apesar de apresentar um gosto ligeiramente mais adocicado, pelo fato de possuir mais glicose, um açúcar mais doce do que a lactose, não há nenhuma perda de nutrientes neste tipo de leite.

“O leite zero lactose fornece os mesmos nutrientes e vitaminas do que o leite normal. O que acontece é que, neste caso, é adicionada uma enzima chamada lactase, que faz a deslactosação, ou seja, a decomposição da enzima lactose, convertendo-a em glicose e galactose. Isso significa que esse leite fica isento da enzima lactose, já que ela foi convertida em outros açúcares”, esclarece Annyelle.

Dicas de consumo

Vale destacar que algumas estratégias podem ser adotadas no consumo do leite para evitar desconfortos gastrointestinais e garantir todos os seus benefícios. Marinna Reis também recomenda não ingerir leite antes de atividades físicas para evitar refluxo e não atrapalhar a absorção do carboidrato necessário para a realização do exercício.

Já o leite desnatado costuma ser adotado por aqueles que seguem dieta com controle de calorias, apesar de conter menor quantidade de vitaminas A e D do que a versão integral, enquanto o leite integral é indicado principalmente para crianças, por conter a gordura natural do alimento, conforme lembra Jalily Moura.

A nutricionista aconselha, ainda, incluir o leite em refeições como café da manhã ou lanche da tarde, preferencialmente, para não prejudicar a absorção de alguns nutrientes presentes em grandes refeições, como o ferro dos vegetais folhosos. Por outro lado, ela lembra que o leite também pode ser um grande aliado do sono. “Uma forma de consumir o leite é antes de dormir por ser fonte de triptofano, um aminoácido precursor da serotonina, que é o hormônio responsável por baixar os níveis de estresse do corpo, preparando a pessoa para o sono”, acrescenta Jalily.