Instituto iungo recebe financiamento inédito para a educação do Fundo Socioambiental do BNDES

Por meio de parcerias com redes públicas de ensino, 15 estados em todas as regiões do Brasil serão beneficiados pelas iniciativas apoiadas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a destinação de R$ 4,1 milhões para iniciativas do Instituto iungo focadas em produzir materiais curriculares e em formar professores do Ensino Médio por meio dos programas ‘Nosso Ensino Médio’ e ‘Itinerários Amazônicos’. O investimento, parte dos R$ 8.3 milhões para a execução dos programas, prevê a formação continuada de mais de 280 mil educadores que, por sua vez, impactam 4,4 milhões de estudantes em 15 redes públicas de ensino de todas as regiões do país.

Os recursos, oriundos do Fundo Socioambiental do BNDES, chegam em um momento chave, com a implementação dos novos currículos do Ensino Médio. As mudanças focam em garantir o desenvolvimento integral dos estudantes, com um conteúdo organizado por áreas do conhecimento (conforme previsto pela Base Nacional Comum Curricular – BNCC); uma parte do currículo flexível, com a oferta de Itinerários Formativos em que os alunos escolhem como vão aprofundar seu aprendizado; e os projetos de vida como um elemento transversal que aproxima a escola dos interesses, sonhos e necessidades dos jovens.

Paulo Andrade, diretor do iungo, explica como os desafios históricos do Ensino Médio podem ser enfrentados com as mudanças previstas. “É mais do que um novo currículo. É uma nova forma de pensar a educação para as juventudes, com mais espaço para que seja criada uma conexão, um sentido de pertencimento desse jovem em relação à escola. Além disso, a própria BNCC vem estimular o uso de metodologias mais engajadoras e incentivadoras da autonomia. São pontos importantes para contribuir para reverter a evasão escolar e para melhorar a aprendizagem dos estudantes”, explica.

Para que essas mudanças sejam concretizadas na escola, é essencial formar os educadores para atuar nesse novo modelo. Formar professores e gestores escolares é o propósito do programa Nosso Ensino Médio, criado em parceria entre o Instituto iungo, o Instituto Reúna e o Itaú Educação e Trabalho, que receberá 30% da verba aprovada pelo BNDES. Com o apoio do iungo, as secretarias estaduais de educação e o vasto conteúdo da plataforma do Nosso Ensino Médio, sete estados continuarão seus processos formativos por meio do programa (Amazonas, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul) e mais um estado da Amazônia Legal será incorporado a esse conjunto de redes de ensino acompanhado pelo Instituto iungo na implementação do Nosso Ensino Médio.

Já a iniciativa Itinerários Amazônicos vai receber 70% do investimento do BNDES e também está relacionada à reforma do Ensino Médio. O programa é co-realizado pelo iungo com o Instituto Reúna e a iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, já tendo como apoiadores o Instituto Arapyaú e Neca Setúbal, socióloga e presidente da Fundação Tide Setubal. A proposta é construir itinerários formativos em que a Amazônia estará no foco – considerando sua diversidade e complexidade ambiental, bioeconômica, social, histórica e cultural. O trabalho também prevê formar professores das nove redes de ensino da Amazônia Legal para implementação destes Itinerários Amazônicos, além de fortalecer suas práticas para a criação de novos conteúdos.

Apesar de sua enorme relevância para a vida no planeta e de perfazer mais de 60% do território nacional, a Amazônia é pouco abordada nos currículos das escolas do país numa visão mais abrangente. Paulo Andrade destaca a importância global da Amazônia e como a educação na região precisa ser priorizada. “O mundo todo se preocupa com o que acontece na Amazônia. Lutar pela sua conservação é um compromisso que precisa ser assumido em diversas frentes. Acredito que não podemos pensar o desenvolvimento sustentável da Amazônia sem considerar o poder de transformação da educação e os educadores amazonenses”, explica.

Para além do impacto nos estados amazônicos, o objetivo do programa é contribuir para ressignificar o papel da Amazônia na formação dos brasileiros. Todo conhecimento produzido estará disponível para escolas e redes de ensino de outros estados do Brasil.

 

Sobre o Instituto iungo

 Idealizado pelo Instituto MRV, o iungo foi criado com uma visão de educação: uma escola em que os estudantes se desenvolvem integralmente e podem construir seus projetos de vida. Para o iungo, o professor é a base da educação e o principal agente dessa transformação da escola. Por isso, o instituto oferece formação continuada para educadores em diferentes formatos, produz material pedagógico para apoiá-los no dia a dia e realiza pesquisas para ouvir os professores do Brasil. Para trazer um impacto relevante para a educação do país, o Instituto trabalha em parceria com secretarias da educação, universidades e outras organizações do terceiro setor. Em dois anos de atuação, o iungo firmou parcerias com 12 redes estaduais de ensino e impactou diretamente mais de 180 mil educadores com ações de formação. Seus mantenedores são o Instituto MRV e o Movimento Bem Maior.