Chefia também é espaço para as mulheres

Exemplos mostram que liderança feminina é possível até mesmo em ambientes masculinizados como a construção civil

Embora mais instruídas que os homens, as mulheres ainda têm dificuldade de acessar cargos de chefia e gerência no mercado de trabalho. No Brasil, apenas 37,4% dos cargos gerenciais existentes em 2019 eram ocupados por mulheres, segundo o levantamento Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, divulgado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na última edição da pesquisa, publicada em 2018 com dados de 2016, elas ocupavam 39,1% desses postos, enquanto os homens preenchiam 60,9% das vagas.

 

Apesar disso, muitas empresas buscam dar oportunidades iguais para ambos os sexos e, com isso, acabam por ter uma presença feminina maior. Em Goiânia, a Opus Incorporadora tem departamentos inteiros formados apenas por mulheres, como o jurídico, o de desenvolvimento de produtos e o de sistema de gestão da qualidade. Outras equipes da empresa possuem predominância feminina, como o Recursos Humanos e a Central de Relacionamento com o Cliente, com 83,33% de mulheres. Em cargos de chefia e liderança são 36% de presença feminina.

 

Um deles é ocupado pela engenheira civil Ana Laura Mendonça Justino, de 25 anos. Ela entrou na incorporadora há seis anos como estagiária, e depois de efetivada, atuou na área de desenvolvimento de produtos. Desde 2019 exerce o cargo de engenheira responsável pela obra do residencial Opus Penthouses. “Quando comecei foi tudo muito novo, mas sempre fui dinâmica e trabalhei isso em mim para não me deixar abalar. Não enfrentei resistência pelo gênero, mas um pouco pela idade. Porém, hoje muitos me procuram para tirar dúvidas”, relembra ela sobre o seu início na função de chefia.

 

Até o final do ano passado, Ana Laura era a única engenheira responsável de obra na empresa, quando outra foi contratada para ocupar a mesma função, em outra construção. “Nas reuniões com os outros engenheiros nunca tive problemas por ser a única mulher, sempre fui ouvida e acolhida”, relata. “Achei muito bacana ter outra mulher, fiquei feliz por ela e me sinto mais confortável também”, diz Ana sobre ter uma colega na mesma função. “Na engenharia estamos conquistando o ambiente. Acredito que temos a mesma voz, estamos caminhando para conquistar mais coisas”, ressalta ela.

 

Departamento
Quem também começou como estagiária e hoje ocupa um cargo de liderança na Opus Incorporadora é a engenheira Lídia do Vale, de 25 anos, que exerce a função de gestora do recém-criado departamento de monitoramento e controle. “Cuido da parte de indicadores de desempenho, custo, prazo e qualidade. Fico mais no escritório, mas acompanho todas as obras e tenho subordinado a mim um assistente e uma estagiária. Porém, lido com outros gestores e diretores, a maioria homens”, explica sobre sua atividade.

 

Ela relata que a profissão ainda é muito dominada por homens e já ouviu relatos de colegas mulheres que passaram por situações ruins. “É uma dificuldade que começa na faculdade, na minha turma eram 45 alunos sendo 8 mulheres, e essa é a realidade na construção civil como um todo. Tenho colegas que não foram aceitas em estágio por ser mulher e outras que tinham receio de circularem sozinhas pelas obras. Na parte de gestão temos muito a percorrer, mas a presença feminina está melhorando”, conta.

Lídia se sente com sorte por não ter enfrentado problemas como os de suas colegas. “Em momento algum aqui me senti rebaixada por ser mulher, sempre fui ouvida, até mesmo pela minha capacidade, independente de gênero. Quando comecei a estagiar, o meu gestor deixou claro que eu tinha abertura para relatar qualquer desconforto, mas isso nunca aconteceu. Não tenho experiência em outras empresas, mas pelos relatos que já ouvi, vejo a Opus como um ponto fora da curva. Nas construções também sempre foi tudo tranquilo quando lido com outros engenheiros e os mestres de obras”, finaliza.